sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A beleza da pobreza




A vinda de Beyoncé ao Brasil é mais uma das visitas de famosos aos morros cariocas.
Toda pessoa tem o seu direito de ir e vir assegurado.
Mas no caso de Beyoncé, esse direito é assegurado por policiais, que são servidores da população.
Mas não é isso que me preocupa.
Vejo uma tentativa calada, porém, perversa, de glamourização da pobreza. Essa tentativa de vender os morros cariocas como algo natural, como algo bonito de se ver, de se viver.
A pobreza não tem beleza.
A pobreza é a ausência de saneamento básico, de moradias decentes, de vias de acesso fáceis e seguras, iluminação pública eficaz, coleta de lixo constante, carteiros e etc.
Absolutamente nada contra o mais pobre, mas contra essa tentativa de aceitar como normal que pessoas morem em condições precárias, em locais onde o poder público não se mostra presente, pela própria ausência de vias de acesso (como ruas a e avenidas).
Essa ausência do poder público permite o surgimento do poder paralelo, como único gestor dos moradores locais. E isso fortalece pessoas e grupos que não tem e não deveriam ter o papel do Estado.
O Estado, juntamente com certas ong´s, vendem ao grande público a beleza da pobreza. Vendem uma idéia de equilíbrio, de cordialidade, de paz e funcionamento perfeito dessas comunidades. Vide jornais e telejornais.
Ou é por ineficiência do Estado a existência de condições precárias de moradias e dificuldade de acesso do poder público aos morros ou temos algo nebuloso, obscuro, que quer manter essas condições de moradia e acesso do jeito que está, seja por parte do Estado, de certas entidades ou uma co-relação entre ambas.